Geofísica nas Ciências Forenses


A Geofísica é a ciência que estuda as propriedades e os processos físicos que ocorrem no interior da Terra. Através dos estudos geofísicos são localizados depósitos de petróleo e de minerais metálicos, água subterrânea, artefatos arqueológicos e tubulações em subsuperfície e delimitadas áreas contaminadas, entre outras possibilidades. Essa ciência encarrega-se ainda de analisar terremotos, erupções vulcânicas, variações do campo magnético da Terra e do campo gravitacional terrestre e mudanças climáticas.

As investigações geofísicas podem ser feitas através de medidas indiretas das variáveis físicas, sem ser necessário, portanto, a realização de testemunhos de sondagem ou de contato direto com o local a ser estudado. Esta é a principal vantagem dessa área quando se trata das investigações forenses, uma vez que permite a conservação da área sem alterações, preservando, assim, as provas e o local do crime.


As medições são realizadas a partir de equipamentos modernos, na superfície ou próxima a ela.  Essas medidas – que podem ser de origem sísmica, gravimétrica e/ou eletromagnética – são influenciadas pelas propriedades que se encontram no corpo qualquer (seja ele uma camada ou até a Terra). A análise dessas medições pode revelar como as propriedades físicas do interior da Terra variam vertical e lateralmente. As propriedades da subsuperfície são estimadas por meio da medição, análise e interpretação dos dados obtidos na superfície, sendo a análise e interpretação dos dados geofísicos realizadas com o auxílio de modernos softwares computacionais.

Disponível em: http://igeologico.com.br/voce-sabe-o-que-e-geologia-forense-e-para-que-ela-serve/ Data de acesso: 25 de novembro de 2021

Geofísica Forense


A Geofísica forense é utilizada em demandas de cunho criminal quando inexistem registros superficiais que evidenciem o crime, e então a equipe de investigadores aplica métodos geofísicos como, por exemplo, para localizar cadáveres clandestinamente sepultados. Essa área também é útil na identificação de modificações antrópicas em áreas naturais e em áreas urbanas, escavações irregulares em presídios e outras edificações, ocultamento de peças metálicas e não metálicas, delimitação de plumas de contaminação em aterros sanitários, mapeamento de sítios arqueológicos e covas, perfilagem geofísica de capeamentos e monitoramento de materiais radioativos associados a eventos criminosos.

Métodos


O método geofísico mais utilizado nas investigações forenses tem sido o Radar de Penetração do Solo (GPR), a fim de localizar estrutura geológicas soterradas, como a identificação de túneis de acesso a presídios e caixas-fortes e ocultação de armas e drogas no subsolo. No entanto, esse método possui algumas limitações, fazendo-se necessário, dessa forma, observar características como o tempo de ocultação, a sazonalidade climática (período de chuva ou seca), o tipo de solo (argiloso ou arenoso) e as condições do terreno (plano ou irregular), que poderão inviabilizar a utilização desse método e/ou comprometer os resultados.

Disponível em: https://sbgf.org.br/home/images/Arquivos/Boletim/boletim%20final.pdf  Data do acesso: 24 de novembro de 2021

Também podem ser utilizados detectores de radioatividade em monitoramentos radiológicos de caráter criminal. Equipamentos de eletrorresistividade e de polarização induzida são empregados na interpretação de comportamento de plumas de contaminação em aterros sanitários irregulares.

Exemplos de casos


O Prof. Dr. Welitom Rodrigues Borges coordenou a equipe de Geofísica Forense no Grupo de Trabalho Araguaia – GTA, em 2011. Esse grupo era composto por uma equipe de peritos criminais, antropólogos forenses e pesquisadores, com o objetivo de identificar os restos mortais dos guerrilheiros que atuaram no fim da década de 1960, na revolta armada conhecida como a guerrilha do Araguaia, ocorrida na região amazônica.


O professor de física Waldemir Gonçalves Nascimento utilizou, em seu mestrado, GPR e o método eletromagnético Slingram, duas técnicas modernas para investigação do subterrâneo, do chão e de paredes para descoberta de cadáveres, túneis e armas enterradas.


Foi implantado o primeiro campo de testes geofísicos controlados para prática forense, ambiental e resgate de vítimas de soterramentos do país, o FORAMB, pela UFPA.

Conclusão


A Geofísica tem se mostrado uma ferramenta eficaz para o aprimoramento das investigações forenses e arqueológicas, para a descoberta da ocultação de provas, de crimes ambientais e da fiscalização de obras civis. É crescente a necessidade de geofísicos qualificados para atender aos crescentes casos de cunho forense, uma vez que as atividades criminais têm estado cada vez mais complexas.

Giovanna Cotta, Gabriela Oliveira e Ana Clara Pires

Graduandas em Geologia e integrantes do Capítulo Estudantil de Geociências Forenses da UFMG.

Referências

conhecimentoideapolicial.blogspot.com/2014/05/pericias-de-geofisica-forense-e-de-meio.html

Clique para acessar o boletim%20final.pdf

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